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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A Escola é o caminho da liberdade, do sonho e da utopia*


“Para o mal triunfar, basta que homens de bem se omitam”. (Edmund Burke – Filósofo)

No Brasil do século 21, onde 20 milhões de crianças e adolescentes vivem abaixo da linha de pobreza, a ESCOLA com toda certeza é a solução para a violência e uma vida digna.

A violência e a barbárie é a dura e cruel realidade em que vivem nossos jovens nos dias atuais. A primeira causa de morte entre adolescentes, pelo último censo do IBGE, é homicídio. Há 12 anos, o homicídio vinha em quinto lugar e hoje já supera os acidentes – que vêm em segundo lugar.

A esperança para nossas crianças e jovens, cujas famílias enfrentam dificuldades materiais, é a escola. É lá no espaço escolar a segunda – e talvez a última – chance de encontrar um ambiente favorável a um desenvolvimento pleno e saudável, onde se possa construir a cidadania, valores, ética e, acima de tudo, a fraternidade e a solidariedade. Do contrário, nossas crianças e jovens farão parte das estatísticas de morte por violência.

Meu sentimento é que a violência é também contra a capacidade desses jovens de existirem como pessoas. Não há sonho, nem desejo e muito menos uma utopia e o que existe é a exclusão social como pessoa. O certo, infelizmente, é que a violência apaga o sentido de existir no mundo.

E aí, eu pergunto: que caminho tem um jovem de 14 anos, vivendo a exclusão conjuntamente com seus pais e irmãos, traça uma maconha ou cocaína e põe uma arma na mão? Minha resposta: poucos caminhos que não a maldade. A arma lhe dá visibilidade, poder, prestígio, a “mina” mais gostosa e bonita da comunidade e o incrível tênis da Adidas.

A escola é a saída para as crianças e jovens desenvolverem a capacidade de pensar, de sonhar, de brincar e de buscar modelos saudáveis na sociedade. Portanto, a nossa luta contra a violência e a droga é a construção de ESCOLAS de boa qualidade e de tempo integral.

Almir Paulo


*Texto publicado na 7a edição do Jornal Gabriela Sou da Paz.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Brasil é campeão em mortes violentas*

O Brasil ocupou o primeiro lugar em mortes violentas no estudo comparativo entre 11 países realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea). A pesquisa apontou na análise da proporção estimada de mortes por danos intencionais, que a violência foi a causa de 4,69% das mortes ocorridas nos anos de 2002 a 2003.
Esse índice é praticamente o dobro de todos os outros países pesquisados: África do Sul, México, Argentina, Índia, China, Rússia, Espanha, Alemanha, Finlândia e Estados Unidos.
"Quando vemos as mortes causadas por danos intencionais, verificamos que o índice no Brasil é praticamente o dobro de qualquer outro país. Não chega a ser o dobro da África do Sul, um país que teve apartheid. A violência, segundo dados da Organização Mundial de Saúde é algo que está produzindo uma verdadeira destruição do ponto de vista da sociedade brasileira", avaliou o diretor do Ipea no Centro Internacional de Pobreza, o pesquisador Milko Maltijascic.
Esse dado refere-se à violência externa exclusivamente. Não inclui, por exemplo, danos auto-imputados, ou seja, suicídio, que no Brasil, de acordo com dados da OMS, representa um índice muito abaixo dos demais países. O índice também não inclui as mortes no trânsito. "É a violência externa, ou seja, a violência de um contra o outro. O índice de suicídio é baixo, ou seja, o brasileiro quer viver. Não está querendo se matar não", definiu Maltijascic.
A África do Sul, país que ocupou o segundo lugar na questão da violência, apresentou índice, nesse mesmo período, de 2,84%. Em países desenvolvidos como a Finlândia, a Alemanha e os Estados Unidos, os índices de mortes por violência ficou em 0,34%, 0,07 % e 0,65% respectivamente.
O estudo Desenvolvimento e Experiências Internacionais Comparadas apontou ainda que o Brasil apresenta índices de mortes por doenças típicas tanto de países desenvolvidos, quanto de países pobres. "O Brasil é um caso interessante. Ao mesmo tempo em que tem um perfil de saúde de países em desenvolvimento, já apresenta vários sintomas de países desenvolvidos. O Brasil, com isso, tem todos os desafios a enfrentar", alertou Maltijascic.
O estudo apontou ainda a dramática situação de países como a África do Sul e Índia que sofrem com altíssimos índices de infecção por Aids. "No caso de doenças causadas por parasitas e infecciosas, se pegarmos a África do Sul, temos um índice de 59% e temos a Índia com 20%. Um em cada três sul-africanos tem Aids. Isso certamente diminui a esperança de vida saudável do país. São dados que estão fazendo recuar a qualidade de vida desses países", avaliou Maltijascic.
Fonte:Agência Brasil


*Almir Paulo