“Se você faz planos para um ano, semeie arroz.
Se faz planos para dez anos plante árvores.
Se faz planos para cem anos, eduque, instrua o povo.”
Minha inesquecível mãe Antônia no vigor de sua intensa vida, apesar de efêmera sua passagem pela terra por que morreu aos 46 anos de idade, sempre repetia para mim e o meu querido irmão Ivan que seu sonho era ver seus filhos formados. Dizia que filho de pobre não tinha outro caminho: estudar, estudar e muito para ser alguém na vida, alcançar sucesso profissional e ser feliz com sua família.
Mamãe era analfabeta e só sabia escrever, sabe-se lá como, o seu jogo de bicho com suas preferidas centenas. Dona Antônia dizia que a escola era um templo sagrado igual à família e que eu e meu irmão tínhamos que respeitar profundamente os mestres em sala de aula e estudar sempre.
Hoje nas minhas caminhadas pelas comunidades vejo o quanto minha mãe tinha razão. Estudar é o melhor e único caminho para os filhos dos trabalhadores fugiram do crime, das drogas, da prostituição e da miséria. Infelizmente o país na educação convive com graves problemas. É crescente a evasão escolar. Nossas crianças entre 7 e 10 anos estão fora da escola. Temos 10% de analfabetos adultos. Apenas 13% dos jovens acima de 18 anos estão no ensino superior.
O resultado do desempenho do Estado do Rio no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) foi desanimador. No ensino médio, na rede pública nosso estado alcançou o índice de 2,8 e ficou com a penúltima posição, só superando o Piauí. Acorda governador Sérgio Cabral! Cadê a Alerj que não questiona?
Sou defensor de modo intransigente de uma educação pública, gratuita e de qualidade. Somos contra as terceirizações e privatizações na escola pública. Educação de qualidade se faz com profissionais de educação concursados e valorizados. É vergonhoso o achatamento salarial dos profissionais de educação ao longo dos anos. Isso fere a dignidade profissional. Um recente edital da Secretaria Estadual de Educação para preenchimento de vaga para professor, com carga horária de 16 horas, oferecia um mísero salário de R$ 732,00. Acorda governador Sérgio Cabral! Cadê a Alerj que não questiona?
Sou defensor da escola de tempo integral, viva e participativa com ensino integrado à realidade do aluno, de sua comunidade e região, e que proporcione a formação de um cidadão livre e com consciência crítica.
Uma Educação de qualidade se faz com a educação integral, escolas adequadas e apropriadas, uso da tecnologia e informática, valorização profissional, concursos públicos, participação de alunos e pais nas escolas, eleições diretas para diretores de escola e, sobretudo, com a aplicação efetiva de 25% do orçamento dos governos preconizados pela Constituição Federal na educação pública.
Essa é minha luta em prol de nossas crianças e em respeito à memória de minha inesquecível e eterna mãe, Antônia da Conceição de Lima (1930 a 1976).
Almir Paulo
Retirado do jornal Abaixo Assinado de Jacarepaguá - Ano 5 Nº45 Agosto 2010
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segunda-feira, 27 de setembro de 2010
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Crianças de 7 a 14 anos não sabem ler e escrever*

“Se você faz planos para um ano, semeie arroz. Se faz planos para dez anos plante árvores. Se faz planos para cem anos, eduque, instrua o povo.”
Um quadro estarrecedor da Educação no Brasil demonstrada pela Síntese dos Indicadores Sociais 2008 – Uma Análise das Condições de Vida da População Brasileira – feita pelo IBGE. 52% dos analfabetos de 15 anos ou mais estão no Nordeste. Soma-se o fato que em 2007, 2,1 milhões das crianças de 7 a 14 anos de idade freqüentavam escola e não sabiam ler e escrever. Com esses dados uma indagação: como atingir a universalização e a melhoria da educação primária que é uma meta a ser alcançada até 2015 pelos países signatários dos Objetivos do Milênio? Esse quadro na Educação requer enérgica ação da sociedade brasileira e pressão popular contra a negligência da elite e da classe dirigente do país.
52% dos analfabetos de 15 anos ou mais estão no Nordeste
O Brasil ainda contava, em 2007, com 14,1 milhões de analfabetos entre as pessoas de 15 anos ou mais de idade - uma taxa de 10% (em 1997, a taxa era de 14,7%). O rendimento familiar é importante na questão do analfabetismo. No conjunto da população que vivia com rendimento familiar per capita de até meio salário mínimo, cerca de 18% eram analfabetos em 2007; já nas classes de rendimentos superiores a dois salários mínimos, o percentual era de 1,4%. O fenômeno do analfabetismo também está bastante relacionado às áreas rurais. A taxa rural (23,3%) era três vezes maior que a urbana (7,6 %).
Em 2007, 2,1 milhões das crianças de 7 a 14 anos de idade freqüentavam escola e não sabiam ler e escrever
Embora entre as crianças e adolescentes de 7 a 14 anos de idade, faixa etária correspondente ao ensino fundamental, o ensino esteja praticamente universalizado (97,6%), os resultados da pesquisa mostram que este alto índice de freqüência à escola nem sempre se traduz em qualidade do aprendizado. Entre as 28,3 milhões de crianças de 7 a 14 anos, que pela idade já teriam passado pelo processo de alfabetização, foram encontradas 2,4 milhões (8,4%) que não sabem ler e escrever. Isto não significa que estas crianças não estejam na escola: 2,1 milhões delas, ou seja, 87,2%, das que não sabiam ler e escrever, freqüentavam estabelecimento de ensino. Deste grupo de 2,1 milhões, 1,2 milhão vivia no Nordeste do país. Entre as crianças de 10 anos, idade adequada à 4a série, que não sabiam ler e escrever, 85,6 % destas crianças estavam na escola. Chama atenção o número de crianças de 14 anos fora da escola, cerca de 204,8 mil.
Para reflexão dos flamenguistas, Botafoguenses, vascaínos e tricolores...
Os jogadores do time profissional do Flamengo faturam alto entre luvas e salários mensalmente. Uma fortuna para quem não joga nada e faz a galera rubro-negra sofrer. Veja o que ganha algumas feras do time:
Fábio Luciano é o jogador rubro-negro mais bem pago, fatura incríveis R$ 301 mil reais; Ibson recebe R$198 mil; Kléberson R$ 190 mil; Josiel R$ 194 mil; Juan R$ 183 mil; Bruno R$ 174 mil; Léo Moura R$ 157 mil; e Obina embolsa R$ 115 mil.
Enquanto isso uma professora do Estado ou da Prefeitura fatura uma mixaria, não pode nem ficar de chinelinho em casa porque tem que corrigir provas e preparar as aulas e ainda tem que bater um bolão em sala de aula todos os dias.
*Almir Paulo
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Brasil tem deficiências na Educação*
“Não basta que tenhamos sido bons, quando deixarmos o mundo. É preciso que deixemos também um mundo bom” (Bertold Brecht)A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) divulgou no dia 25 de novembro o Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos, no qual analisa
dados de 129 países do ano de 2006 referentes a matrículas no ensino primário, analfabetismo de jovens e adultos, além de repetência e evasão escolar e paridade entre gêneros no acesso à escola.
O Brasil aparece no relatório em 80º lugar, entre 129 países, ficando atrás de Cuba, Argentina, México, Bolívia, Equador, Venezuela e Paraguai. As nossas deficiências na educação nos permitem ter o índice de 0,901, elaborado com base no Índice de Desenvolvimento de Educação para Todos.
O Brasil tem a segunda maior taxa de repetência escolar na América Latina, com 18,7% na escola primária. Apenas o Suriname tinha o pior indicador, com 20,3%.
dados de 129 países do ano de 2006 referentes a matrículas no ensino primário, analfabetismo de jovens e adultos, além de repetência e evasão escolar e paridade entre gêneros no acesso à escola.
O Brasil aparece no relatório em 80º lugar, entre 129 países, ficando atrás de Cuba, Argentina, México, Bolívia, Equador, Venezuela e Paraguai. As nossas deficiências na educação nos permitem ter o índice de 0,901, elaborado com base no Índice de Desenvolvimento de Educação para Todos.
O Brasil tem a segunda maior taxa de repetência escolar na América Latina, com 18,7% na escola primária. Apenas o Suriname tinha o pior indicador, com 20,3%.
Alerta mundial
A Unesco alerta no relatório que o mundo não atingirá os objetivos de oferta e melhoria no ensino para o ano de 2015, que foram fixadas em 2000. Pelo menos 29 milhões de crianças continuarão fora da escola primária (eram 75 milhões em 2006) e cerca de 700 milhões de jovens e adultos permanecerão analfabetos (eram 770 milhões em 2006). A entidade quer que os países ricos doem US$ 7 bilhões, por ano, às nações pobres para investimentos em educação e com isso acelere o ritmo das metas.
Apesar das deficiências e dos baixos investimentos na educação pública, a Unesco prevê que o Brasil conseguirá cumprir a meta de universalização do ensino primário, reduzindo para 200 mil o número de crianças fora da escola em 2015.
Apesar das deficiências e dos baixos investimentos na educação pública, a Unesco prevê que o Brasil conseguirá cumprir a meta de universalização do ensino primário, reduzindo para 200 mil o número de crianças fora da escola em 2015.
Uma luta de todos
As desigualdades educacionais no mundo ameaçam as metas de 2015 da Unesco, em função dos governos dos países em desenvolvimento não investirem suficientemente na educação.
A ONU, a Unesco e os povos do planeta deveriam exigir dos países ricos o perdão das gigantescas dívidas externas das nações mais pobres. A sociedade brasileira precisa entender que o poder da mobilização popular e do voto são armas fundamentais na busca constante por uma educação pública de qualidade e pelo cumprimento constitucional de aplicação dos 25% dos recursos
públicos na educação pelos governos municipais, estaduais e federal. Só o povo organizado é capaz de exigir e garantir mais investimentos na educação. Estamos permanentemente nesta luta.
É a nossa guerra!
*Almir Paulo
A ONU, a Unesco e os povos do planeta deveriam exigir dos países ricos o perdão das gigantescas dívidas externas das nações mais pobres. A sociedade brasileira precisa entender que o poder da mobilização popular e do voto são armas fundamentais na busca constante por uma educação pública de qualidade e pelo cumprimento constitucional de aplicação dos 25% dos recursos
públicos na educação pelos governos municipais, estaduais e federal. Só o povo organizado é capaz de exigir e garantir mais investimentos na educação. Estamos permanentemente nesta luta.
É a nossa guerra!
*Almir Paulo
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